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Este artigo é de Flavio Amary, presidente da AELO e vice-presidente do Interior do Secovi-SP. Em inúmeros aspectos, o Interior de São Paulo revela dinamismo e imprime aos municípios que o compõem uma atraente configuração espacial, onde o processo de urbanização e metropolização é irreversível. Principal pólo de concentração populacional do País, o Interior paulista – segundo análises do Censo – já nas décadas de 80 e 90, começou não só a reter seus habitantes como também a provocar um movimento migratório interessante e incomum. O mesmo Censo mostra que a proporção da população que vivia em áreas metropolitanas naquela época, além de menor em relação aos anos anteriores, paulatinamente caiu, a ponto de refletir mudanças na estrutura produtiva. O espraiamento das atividades industriais pelo entorno metropolitano e para municípios do Interior, onde hoje inúmeros conglomerados já se encontram consolidados, desencadeou efeito multiplicador na geração de novas atividades, fortificado pelo advento dos múltiplso canais de comunicação disponibilizados pelas tecnologias existentes – que encurtaram distâncias e trouxeram facilidade para a vida cotidiana. Tudo virou “portátil”, fascinante. Essa velocidade criou novos padrões na família, no trabalho, na escola, e nos permitiu morar em locais com alta qualidade de vida. Não bastasse a conjunção de todos esses fatores, o Interior paulista é muito bem servido de vias expressas e rodovias, que permitem percorrera distância até a capital em pouco tempo. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Estado de São Paulo possui o maior e melhor sistema rodoviário do País, somando quase 35 mil quilômetros entre estradas municipais, estaduais e federais. Assim, mais de 90% da população paulista está a cerca de 5 quilômetros de uma estrada pavimentada. Paralelo a essa realidade, a descentralização universitária se aliou ao chamado movimento pendular, alicerçado pela expansão do transporte, da moradia, do trabalho, das ciências e da tecnologia, fazendo com que o Interior paulista seja responsável por um quarto da produção científica nacional. Das universidades e dos institutos da região sai o conhecimento que abastece e cria empresas tecnológicas. Só para ilustrar, São Carlos, Campinas, Piracicaba, Bauru e Ribeirão Preto têm mais mestres e doutores a cada 100 mil habitantes do que a capital paulista. Nas cidades do entorno de Araraquara, há quatro vezes mais cientistas. Três em cada quatro projetos de inovação aprovados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) são de fábricas com sotaque caipira. Graças a esses números, São Paulo publica hoje tantos artigos científicos quanto Espanha, Austrália, Irlanda ou Canadá.
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