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O mundo entra na contagem regressiva para 2010, fim da primeira década do terceiro milênio, na luta para atenuar a grave crise financeira surgida em 2008. Vai ser um ano de festas e de esperança, mas também de responsabilidade: ano de eleições em vários países, entre os quais o Brasil. Em outubro, caberá ao povo brasileiro escolher os que vão exercer o Poder Executivo e o Poder Legislativo: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. A campanha política está nas ruas há mais de um ano, mas resta definir as candidaturas. Que vençam os melhores, que vença o Brasil. Essas eleições de 2010 coincidem com os 25 anos da volta da democracia ao País, após a ditadura militar: em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito no Congresso Nacional; em 15 de março, José Sarney assumiu o cargo de presidente com o impedimento de Tancredo – então submetido a cirurgia, faleceria em 21 de abril. O ano de 2010 é ano de Copa do Mundo, disputa a ser acompanhada pela TV por mais de 2 bilhões de pessoas, desta vez realizada na África do Sul. No Brasil, além de haver uma animada torcida pela seleção de Dunga, outro episódio alegra o futebol: o centenário do Corinthians, em 1.º de setembro. A Alemanha, que em 2009 festejou os 20 anos da queda do Muro de Berlim, comemora em outubro as duas décadas de sua reunificação. O ano de 1990 teve grandes mudanças, incluindo o fim da União Soviética, ponto de partida para o nascimento de jovens nações do bloco, que afastaram o comunismo. Vai fazer 30 anos que o papa João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez. Também em 1980, Frank Sinatra fez um show aplaudido por 145 mil pessoas no Estádio do Maracanã. Na história do urbanismo e dos loteamentos, há dois fatos a serem relembrados. A data é redonda para ambos: os 50 anos da inauguração de Brasília e os 100 anos da origem do plano de obras no Centro da cidade de São Paulo e dos bairros planejados. Brasília, inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 21 de abril de 1960, significou uma transformação do País. De arquitetura arrojada, com base no talento de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, a nova capital brasileira sinalizava para a descentralização. Aquele canteiro de obras da segunda metade da década de 1950 foi um imenso loteamento conduzido pelo governo. No Plano Piloto, em forma de avião, surgiram os edifícios do poder público, como o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, o Palácio da Justiça, os ministérios, o setor de hotéis e as asas de prédios residenciais. Os jornais de São Paulo publicavam inúmeros anúncios de “lotes de terrenos na nova capital”. Nem todos os lotes ficavam perto do poder: a maioria se localizava nas cidades-satélites, como Taguatinga, Bandeirantes e Gama ou até fora do Distrito Federal. De qualquer modo, Brasília cresceu muito rápido e já está entre as cinco cidades mais populosas do País. Em 14 de novembro de 1910, cidadãos paulistanos apresentaram à Prefeitura de São Paulo um plano para viabilizar importantes obras no Centro, que incluíam a modernização do Vale do Anhangabaú e a abertura da Avenida São João. A idéia foi levada ao barão Raymundo Duprat, que assumiu o cargo de prefeito em janeiro de 1911. No mesmo ano, chegou a São Paulo o francês Joseph Antoine Bouvard, para trabalhar no plano, mais tarde com a participação também do inglês Barry Parker. Ao lado de outros investidores, eles criaram a Companhia City de Desenvolvimento, que existe até hoje e que seria responsável pelo lançamento de bairros planejados, de qualidade de vida, como o Jardim América, o Pacaembu e o Alto de Pinheiros. Essa história tem tudo a ver com a evolução dos loteamentos no Brasil, com a criação de outras empresas e com a fundação da AELO, em São Paulo, em 1981.
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