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O janeiro mais chuvoso da cidade de São Paulo em 63 anos, no auge de um verão marcado por tragédias e destruição em várias outras regiões do País, trouxe de volta a discussão sobre necessidade de planejamento para os núcleos urbanos e de lazer. Contra o volume e a violência das águas, não se pode culpar este ou aquele: a explicação fica por conta dos caprichos da natureza – a mesma natureza dos terremotos, tufões, ciclones, vulcões e tsunamis. Além do município de São Paulo, que concentra 11 milhões de habitantes, toda a área metropolitana da Capital acumulou danos, assim como várias cidades do Interior e de outros Estados. Agora que o verão é passado e entramos no outono, ainda se faz cálculos sobre os prejuízos sofridos com as enchentes e o dinheiro a ser aplicado em reconstruções. Assim, vale a pena refletir em torno do desenvolvimento urbano sustentável. A AELO não abre mão do respeito ao meio ambiente. Durante toda a existência desta entidade, que completou 29 anos em 24 de fevereiro, temos tido preocupação básica com a questão ambiental. Loteamentos de todos os tipos e para todas as classes sociais, são importantes, entre os quais os loteamentos fechados, mas sempre levando em conta o respeito às normas legais e à própria natureza. Empresas associadas à AELO defendem, há décadas, a ocupação urbana calcada em estudos multidisciplinares, algo que, por sinal, tem sido recomendado pelo conceituado professor Aziz Ab’Saber, geógrafo e professor universitário, uma referência em meio ambiente e em impactos ambientais. Aos 85 anos, o professor Ab’Saber, nascido em São Luís do Paraitinga, lamenta a destruição de grande parte do tesouro histórico de sua pequena cidade nos primeiros dias de 2010 e insiste na tese que é válida para metrópoles e para lugares menos povoados. Ele diz que falta o País entender melhor o conceito de “espaço total”, que interliga o que restou de áreas naturais, grandes áreas de água e ecossistemas e conjuntos urbanos. “O plano diretor de uma cidade é bizarramente burocrático, há de se ter um plano de funcionalidade, que se inicia por um bom estudo”, explica o professor, em palestras. O que é mais importante para o Brasil? A preservação do meio ambiente ou o desenvolvimento? Ou os dois juntos? O atual noticiário sobre novas usinas hidrelétricas, obras do Rodoanel, ampliação de aeroportos, urbanização de cidades e construção de moradias confronta as teses de ambientalistas com as de desenvolvimentistas. Não deve haver radicalismo, mas sim uma verdadeira coexistência pacífica, por meio do desenvolvimento urbano sustentável que venha a preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar o crescimento da economia e a qualidade de vida dos cidadãos.
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