AELOOnline
Informativo Periódico
Ano X Número 327

São Paulo, 13 de Janeiro de 2011

 
Destaques desta edição:

Artigo de Romeu Chap Chap
“O passo e as pernas” foi publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”

CDHU e Secretaria ficam juntas
O novo secretário da Habitação paulista mantém fórmula do antecessor

Livro: inovação na moradia popular
Publicação foi lançada pelo governo de SP e pelo Instituto dos Arquitetos

 

Agora, os detalhes:

 

Romeu Chap Chap: “O passo e as pernas”

Romeu Chap Chap, consultor imobiliário, que foi presidente do Secovi-SP, no qual hoje é presidente do Conselho Consultivo, escreveu para a edição de 7 de janeiro do jornal “O Estado de S. Paulo” interessante artigo que merece ser reproduzido neste “AELO Online”:

É inegável: 2010 foi um bom ano para o setor imobiliário nacional. Em todos os pontos do País, os lançamentos e as vendas registraram bons resultados. Conforme a pesquisa Secovi-SP, de janeiro a outubro, na cidade de São Paulo, a comercialização registrou aumento de 0,3% em comparação com igual período do exercício anterior. Os lançamentos, por sua vez, cresceram 23%.

Saliente-se que boa parte dos lançamentos estava represada por causa da crise econômica mundial. Portanto, vê-se uma retomada natural, embora apareçam ainda manifestações alarmistas sem fundamentos. O aparentemente exagerado volume de lançamentos relativo às vendas e os problemas pontuais no prazo de entrega de algumas obras (número inexpressivo, considerando a quantidade de empreendimentos entregues no prazo ou antes) fazem indagar se o setor estaria indo com muita sede ao pote. O pote de nova demanda, formada pelas classes emergentes que, apoiadas por linhas de crédito e subsídios do programa Minha Casa, Minha Vida, conquistaram o direito de sonhar com a casa própria - e comprá-la.

Do alto de meus 50 anos de experiência na área, observo que o aquecimento da economia obrigou o setor a caminhar mais rápido e dar passos mais largos. Mas as pernas não cresceram na mesma proporção. E elas não são unicamente as das empresas incorporadoras e construtoras, que sofrem com a falta de mão de obra básica e especializada e com a falta de equipamentos, nunca produzidos em volume adequado para enfrentar retomadas. Afinal, por duas décadas o Brasil não vinha tendo escala na produção de imóveis.

Com isso as empresas deixaram de comprar equipamentos, como gruas e guindastes, passando a locá-los. Fácil verificar que hoje há fila para alugá-los, o que está sendo paulatinamente resolvido com importação, assim como a mão de obra é treinada nos próprios canteiros. Além disso, novas tecnologias construtivas começam a ser adotadas. Com escala é possível industrializar a montagem de moradias. É a indústria imobiliária começando a operar como indústria.

O setor está resolvendo seus problemas. Porém a questão maior é a das pernas de todos aqueles de quem o setor imobiliário depende para fazer entregas. Falo aqui não do complexo processo de aprovação em vários departamentos governamentais. Falo, sim, da dificuldade de se obter a documentação necessária para dar as chaves ao comprador, como certidões do INSS, ISS e consequente Habite-se, etc. É que também o setor público não se preparou para dar conta desse volume de solicitações. Os recursos materiais e humanos não aumentaram. A perna ficou curta e, mesmo acelerando o passo, é difícil, se não impossível, acompanhar o ritmo.

Fica a sensação, ou constatação, inevitável: a demanda atropelou-nos a todos, empresários, setor público e mesmo os agentes financeiros, também com suas dificuldades na hora dos repasses. O desenvolvimento econômico, que tirou da miséria milhões de brasileiros, somado às condições de acesso ao crédito imobiliário, gerou esse descompasso. Agora nos cabe acertar o passo. Parece-me que, naturalmente, as coisas começam a se acomodar. Primeiramente, vê-se que aquela puxada de preços dos imóveis (influenciada pela franca elevação dos custos dos terrenos) começou a afrouxar. Felizmente, já se vê o limite, fundamental para que o setor continue crescendo sem fazer o jogo de especuladores de plantão, sem euforias, mas com realismo e foco no resultado.

Já presenciei vários ciclos do mercado de imóveis. E as ocasiões em que ele mais perdeu foi justamente quando saiu de um ritmo constante e partiu para o otimismo exagerado. E são sempre duas as consequências de quem dá o passo maior que as pernas: ou cai ou se exaure antes de chegar ao destino. A expectativa é que essa consciência sobre o andamento natural das coisas se estenda para todo o mercado, do empreendedor ao comprador. Assim, e somente assim, teremos o desejável desenvolvimento sustentável da indústria imobiliária.

 

 

CDHU também com o secretário

O secretário estadual da Habitação de São Paulo, Silvio Torres, assumiu na segunda-feira, dia 10, o cargo de presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A posse ocorreu durante reunião do Conselho de Administração, que aprovou a indicação de seu nome para presidir a Companhia. Ele recebeu o cargo do presidente em exercício e Diretor Técnico, João Abukater Neto.

Silvio Torres, que uma semana antes havia assumido o cargo de secretário, explicou a responsabilidade que assume ao acumular, como seu antecessor, Lair Krähenbühl, a Secretaria Estadual da Habitação e a CDHU: "Os problemas e as missões que assumimos são bastante complexas. Temos a incumbência dada pelo governador Geraldo Alckmin de acelerar as obras e buscar atender à enorme carência habitacional do Estado. Para tanto, vamos dar seqüência aos principais projetos em andamento e também estreitar a parceria com os municípios para promover a regularização de núcleos habitacionais e construir mais moradias populares." Sílvio Torres mencionou como exemplo o Programa da Serra do Mar, criado na gestão de Lair e mantido por decisão do governador Geraldo Alckmin como forma de remover milhares de família instaladas irregularmente na serra, ao lado das Vias Anchieta e Imigrantes, em Cubatão. Ele também comentou que as ações de urbanização e remoção de favelas e cortiços, em andamento nos últimos anos, continuarão merecendo o empenho da CDHU.

 

 

Livro: inovação na moradia popular

Lair Krähenbühl, pouco antes de deixar o cargo de secretário estadual da Habitação de São Paulo, encerrando uma gestão de importantes realizações nos últimos quatro anos, lançou o livro “Sustentabilidade e Inovação na Habitação Popular: O desafio de propor modelos eficientes de moradia”, com base no trabalho em equipe desenvolvido por aquela secretaria. O livro, resultado de um concurso nacional, em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil, apresenta projetos e depoimentos de arquitetos para casas de vários padrões, opções criativas que podem ser úteis não só para o âmbito do governo do Estado de São Paulo como também para prefeitura que se preocupam com o problema do déficit de moradias.

 

 

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