AELOOnline
Informativo Periódico
Ano XI Número 381

São Paulo, 26  de Janeiro de 2012

 
Destaques desta edição:

AELO na Alta Noroeste
Flávio Giussani já assumiu como representante na região de Araçatuba

Artigo: “Verde com pragmatismo”
Ciro Scopel explica a necessidade de sensatez nas questões ambientais

A perda de um defensor da ética
Elias Corrêa de Camargo faleceu no dia 19, deixando um legado ao País

 

Agora, os detalhes:

 

Ampliada a presença da AELO

 

Já está integrado à equipe de representantes da AELO no Interior paulista o empresário Flávio Adalberto Ramos Giussani, oficializado para instalar a Delegacia Regional da AELO na região da Alta Noroeste. Com grande experiência no campo empresarial e no setor público, Giussani é paulista de Braúna, município da região de Araçatuba, onde atua como empreendedor imobiliário. Em 1.º de dezembro, ele foi apresentado como o mais novo representante regional durante o 1.º Encontro de Loteadores do Vale do Paraíba e do Litoral Norte, em São José dos Campos. E começou a atuar logo em seguida, em dezembro e janeiro, por meio de contatos com empresários de sua região.

A decadência do transporte ferroviário nas últimas décadas no Brasil não eliminou o nome Alta Noroeste, pelo qual ainda é conhecida toda a região sob a influência da ferrovia, tendo como pólo Araçatuba, e que concentra municípios como Birigüi, Guararapes, Bilac, Penápolis, Lins, Promissão, Andradina, Valparaíso, Mirandópolis e Braúna.

A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, com seus trens de carga e de passageiros em direção a Mato Grosso e à Bolívia, prosseguindo a ligação feita pela Companhia Paulista entre a cidade de São Paulo e Bauru, foi responsável pela criação e expansão de inúmeras cidades no extremo oeste paulista. Atualmente, rodovias modernas cruzam a região, em que surgem empreendimentos imobiliários de alta qualidade.

Quando da apresentação de Flávio Giussani no evento de São José dos Campos, o presidente da AELO, Caio Portugal, salientou que a criação de uma nova Delegacia Regional faz parte dos constantes planos de expansão da entidade, levando em conta a expressiva evolução do Interior paulista. O nome de Giussani já está no site da AELO.

E o quadro de representantes regionais da AELO conta também com representantes nas seguintes regiões: Bauru (Renato José Aiello), Campinas (Daniel de Oliveira Andrade Pazinatto), Jundiaí (Milena Nosralla Haddad), Marília (José Roberto Pimentel Pinheiro), Sorocaba (Flavio Amary), Região Leste da Grande São Paulo (Christian César Gonçalves Cimino), São José do Rio Preto (Joaquim Mendonça Ribeiro) e São José dos Campos (Ângela Aparecida Lemes de Paiva).

Ângela Aparecida Lemes de Paiva, que também é diretora de Assuntos Regionais da AELO, além de participante do Secovi-SP no Vale do Paraíba, coordenou uma reunião com empreendedores do Vale do Paraíba em 16 de dezembro para analisar o 1.º Encontro de Loteadores, considerado um sucesso, e para planejar reuniões mensais com os empresários do Vale, do Litoral Norte e da Serra da Mantiqueira. A primeira reunião está programada para a próxima terça-feira, dia 31 de janeiro, às 17 horas, na Regional do Secovi-SP em São José dos Campos. As demais reuniões serão na última terça-feira de cada mês.

Scopel: “Verde com pragmatismo”

Ciro Scopel, experiente empreendedor da empresa Scopel, membro do Conselho Consultivo da AELO e vice-presidente de Sustentabilidade do Secovi-SP na gestão do presidente João Crestana, cargo a ser mantido com o presidente eleito Claudio Bernardes, que toma posse em 13 de fevereiro, escreveu um artigo que merece ser reproduzido neste “AELO Online”:

A biodiversidade brasileira é uma das mais ricas do mundo. As espécies que formam nossa fauna e flora são tão numerosas que já observamos por diversas vezes o anúncio da descoberta de uma nova planta, de um novo pássaro, de um novo inseto. Trata-se efetivamente de um tesouro, e o desejo de defendê-lo e preservá-lo é legítimo.

Acontece que o Brasil não pode ser visto simplesmente como um santuário ambiental de proporções continentais.

Aqui vivem 200 milhões de pessoas que precisam trabalhar, melhorar de vida, morar bem, locomover-se. Segundo o IBGE, apenas 27,7% do território nacional estão ocupados por agricultura, pecuária e atividades assemelhadas. As cidades, que hoje concentram cerca de 85% da população, não ocupam mais que 0,5% do território. A opção pelo radicalismo coloca em risco a produção que traz comida farta e barata à nossa mesa (o brasileiro gasta em média 18% da renda com alimentação; 30 anos atrás, essa proporção era de 48%), empurra pequenos produtores para a informalidade, fecha as portas para a realização de obras de infraestrutura fundamentais ao desenvolvimento do País e inviabiliza os empreendimentos urbanos.

O primeiro Código Florestal, surgido no governo Castello Branco (1965), tinha um objetivo muito claro: proteger florestas existentes em propriedades privadas. De lá para cá, essa legislação sofreu diversas alterações, muitas delas de caráter retroativo, gerando grandes problemas para a agricultura e mesmo para o desenvolvimento urbano. No Nordeste, quase tudo ficou ilegal. No Vale do São Francisco, tudo é APP (Área de Preservação Permanente). Ao retroagir, a legislação criou impactos ambientais, econômicos e sociais. Precisamos ter isso em mente nas discussões sobre o Novo Código Florestal Brasileiro.

Por ocasião da última Convenção Secovi, realizada em setembro, essa questão foi debatida com o ecólogo, agrônomo e cientista Evaristo Eduardo Miranda, que conhece profundamente o território nacional e sua realidade. Atual coordenador do escritório de Análise de Imagens e Monitoramento por Satélites do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Miranda foi consultor da ONU na Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, a Rio-92, e chefiou por 20 anos a Embrapa Monitoramento por Satélite. Em sua avaliação, o Brasil detém condições muito especiais em termos de áreas preservadas. Pelo menos 28% do território nacional são terras indígenas. O espaço ocupado pelo Exército equivale à área do estado de Sergipe.

O Brasil é o país que tem mais regiões protegidas em todo o mundo, onde a média é de 10% do território. Quase 61% do nosso território é composto de vegetação nativa, rios, praias, mangues etc.

Mas as propostas de mudança do Código Florestal Brasileiro não estabelecem, em nenhuma de suas versões, quaisquer diferenças entre meio rural e cidades. Não é justo ou razoável que as regras vigentes no município de São Paulo sejam aquelas delineadas pelo legislador que tinha em mente a preservação da Serra do Cipó! Isso é um desserviço à população.

Para dar uma contribuição de fato consistente ao País, a atual revisão do Código deve levar em conta a existência de diferentes realidades. No que tange especificamente à ocupação urbana, o setor imobiliário sabe que sustentabilidade é a grande pauta deste século. Os clientes do mercado valorizam e demandam empreendimentos alinhados com essa máxima universal. Há um entendimento comum quanto à possibilidade de preservar o ambiente, sem prejudicar o desenvolvimento econômico e social.

Há muito a fazer para que possamos requalificar espaços urbanos já existentes e planejar adequadamente a utilização de novas áreas, de forma ordenada e sustentável. O mercado está empenhado na adoção de condutas e indicadores que possam acompanhar e medir a sustentabilidade urbana. Tudo isso é positivo, e configura uma resposta aos anseios da sociedade moderna. Leis paralisantes tolhem esses processos que são naturais e saudáveis, substituindo-os por atraso, retrocesso e ilegalidade – basta um passeio por alguns bairros afastados na própria capital paulistana para que constatemos o grande número de loteamentos clandestinos e de moradias precárias existentes em áreas que, teoricamente, são “áreas de preservação”.

Também fazem falta políticas públicas que estimulem as práticas sustentáveis por meio de incentivos fiscais, a exemplo do que acontece em vários países.

Com planejamento, legislação adequada, fiscalização eficiente e recursos mais abundantes, o acesso da população à moradia de qualidade e a um ambiente urbano mais humanizado e sustentável será mais rápido e menos custoso.

Em nome das gerações futuras, precisamos urgentemente de mais sensatez e pragmatismo no tratamento dado às questões ambientais.

A perda de Elias Corrêa de Camargo


O setor imobiliário e da construção do Brasil perdeu na semana passada um de seus nomes mais expressivos: Elias Corrêa de Camargo. Ele faleceu na quinta-feira, dia 19, em São Paulo, após seis décadas de trabalho em defesa da ética e da qualidade de vida. Elias formou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica de São Paulo em 1946 e dirigiu a empresa Tech Engenharia, hoje administrada pelos seus filhos. No SindusCon-SP, tornou-se conselheiro e chegou a representar a entidade na Comissão de Meio Ambiente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Foi também presidente da Comissão de Ética da CBIC, do Conselho de Ética da Construção Civil do Estado de São Paulo e do Conselho Federal de Ética da Construção Civil, além de diretor da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas.

Foi Elias Corrêa de Camargo quem coordenou reuniões para que a construção civil do Brasil lançasse, em 1992, um Código de Ética. Ao ser entrevistado naquela ocasião, Elias explicou que a defesa da ética pelas empresas de construção era fundamental, levando em conta a necessidade de o setor impor sua credibilidade, em contraste com o noticiário da mídia sobre irregularidades por parte de uma pequena parcela de empresas em licitações por obras públicas. Ele recordou: “Como a ética faz parte de minha vida, desde o momento em que as circunstâncias profissionais me introduziram na área da construção civil, por uma questão de coerência de vida, me envolvi com a ética empresarial.”

O atual diretor-geral da Rádio Capital, Francisco Paes de Barros, que também dirigiu as Rádios Globo, Record, Excelsior (CBN), América e 9 de Julho, conheceu Elias nos anos 1960, ao iniciar sua vida profissional. “Então, eu era quase um garoto, procedente de Jaú. E o engenheiro Elias era o presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo, a Ceagesp, onde tive a honra de tê-lo como chefe e conselheiro. Foi uma das pessoas mais dignas que conheci em minha vida.”

Nos últimos tempos, mesmo afastado da atividade empresarial, o engenheiro Elias continuou lendo, com interesse, todo o noticiário dos jornais sobre São Paulo, o Brasil e o mundo, incluindo notícias em que a defesa da ética prevalece em relação a casos de irregularidade na política e no campo empresarial. E, mesmo discreto – característica de sua personalidade –, ele não ocultava um determinado orgulho por ter participado da longa e bem-sucedida luta do setor da construção civil na imposição da credibilidade perante a opinião pública.

Elias Corrêa de Camargo deixa a esposa, dona Nenê, e os filhos José Elias, Maria Beatriz, Pedro Paulo (in memoriam), Luiz Eduardo, Carlos Augusto, Maria Fernanda, Maria do Carmo, netos e bisnetos. A Missa de 7.º Dia foi celebrada na terça-feira, dia 24, na Igreja Nossa Senhora Mãe do Salvador (Cruz Torta), no Alto de Pinheiros, em São Paulo.

O presidente da AELO, Caio Portugal, manifestou o pesar de nossa entidade a toda a família Camargo, entrando em contato com um dos filhos do ilustre dirigente, o engenheiro Luiz Eduardo de Oliveira Camargo, que foi presidente da AELO de 2005 a 2009 e que atualmente preside o Conselho Consultivo da AELO.


 

 

 

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