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Informativo Periódico
Ano X Edição Especial Estadão

São Paulo, 20 de Janeiro de 2011

 
Edição especial:

Não é a chuva que mata

As fotos da trafédia das cidades da Região Serrana do Rio mostram áreas verdes arranhadas pelos deslizamentos de terra que arrastaram casas e mataram centenas de pessoas. As chuvas foram fortes? Sem dúvida, foram fortíssimas. A dimensão das chuvas deste verão no Sudeste do Brasil tem algo a ver com anomalias climáticas mundiais que causaram inundações também na Colômbia, Venezuela, Austrália e outros países. Mas não é só isso. Diante das notícias e das mais variadas opiniões em torno da tragédia das águas de Janeiro, a AELO, Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano, igualmente solidária às vítimas, gostaria de dar sua contribuição para um debate técnico e equilibrado sobre causas e efeitos.

No Estado do Rio e em outros Estados do País, não é a chuva que destrói e mata. O que mata é o estilo de se cuidar da natureza e das cidades.
Os números demonstram que mais de 90% dos desmoronamentos e deslizamentos que tiram a vida de pessoas ocorrem em bairros não planejados, aqueles que não passaram por projetos de aprovação nos órgãos públicos e que, portanto, não se submeteram à lei. Como produtos de bairros e cidades, nosso setor preza a lei e defende a proteção ao meio ambiene. Em respeito às regras, as empresas licitas de parcelamento do solo constroem cidades, mas reservam 20% gleba original para áreas verdes, garantindo a drenagem para a captação da água das chuvas e sua cuidadosa liberação.

Enchentes como as ocorridas no Brasil nas últimas semanas são provenientes das chuvas, mas também da impermeabilização do solo. Muita gente saiu do campo, as cidades cresceram desordenadamente e o solo ficou impermeável. O improviso tornou-se regra. Uma coisa é o loteamento cuidadosamente projetado, outra coisa é a invasão ou ocupação de áreas de risco. A construção de casas em baixadas inundáveis e em morros sem infra-estrutura deveria ser combatida.

O surgimento dessas casas, originado em ações criminosas, passa pela omissão do poder público nas três esferas: federal, estadual e municipal. A AELO defende o total respeito às leis. Por sua vez, a legislação em de ser clara e rígida, sem a possibilidade de dupla interpretação. Impor o cumprimento da lei é dever de todos.

Ganância, tolerância e descuido significam cumplicidade, geram a multiplicação do perigo diante das chuvas e prometem a consane repetição de cenas terríveis como a deste triste janeiro de 2011.

Flavio Amary é presidente da AELO e vice-presidente do Interior do Secovi-SP

 

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 20/01/2011

 

 

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